O Abrigo de Kulê – Resenha em texto

“Enquanto o mundo segregava lá fora, ela lia e expandia o mundo de dentro” (p. 33)

Sinopse:
O ano é 1940. A cidade, uma dessas onde os velhos espiam pelas janelas com seus olhos cheios de memórias, onde as crianças brincam pelas ruas, com seus pés nus, e meninas sem luxo se enfeitam para ver a festa na praça. Maria, uma moça que ama os livros e sonha em ver o mundo, encontra Gabriel, um caixeiro-viajante vendedor de brinquedos. O que eles não sabiam, na beleza inocente da juventude, é que o destino tem seus caprichos. O que eles não sabiam é que a liberdade é o bem mais precioso de quem vive. E é por ela que se luta, todos os dias!”
“O trabalho escravo nas fazendas brasileiras na década de 40 é o tema central do lançamento O Abrigo de Kulê. A obra, da jornalista e escritora Juliana Valentim, narra a história de Gabriel, um caixeiro-viajante contador de histórias, e Maria, uma jovem que ama os livros e sonha em conhecer o mundo. Juntos, eles traçam um caminho em busca da liberdade.
O livro coloca em discussão assuntos que atravessam décadas e permanecem vivos até os dias atuais. Fala de amor, coragem e sororidade, a solidariedade feminina que nasce em tempos desafiadores. A narrativa é construída de forma leve e cheia de fantasia, fazendo o leitor passear por paisagens e costumes do interior do Brasil.
Assim como os protagonistas da obra, no alto dos seus 20 anos, o enredo se revela ao público jovem com uma sucessão de acontecimentos marcantes que transitam pela paixão, decepção, saudade, liberdade, encanto e desencanto.
A capa é um trabalho da desenhista Elaine Lyra, com ilustração digital da Flávia Hashimoto.”

Abaixo estão as frases e quotes que fui anotando ao ler o livro, separadas por capítulo! Substituí os nomes dos personagens para não dar spoilers e não estragar a sua experiência com o livro, mas recomendo fortemente que você adquira “O Abrigo de Kulê” e dance com as palavras da Ju Valentim!

FICHA TÉCNICA:
Título: O Abrigo de Kulê
Autora: Juliana Valentim
Editora: All Print
ISBN:  978-65-5822-005-3
Páginas: 204
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 32,00

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Aguarde a resenha em vídeo!

O Abrigo de Kulê

Capítulo 1 – Gabriel e a fábrica de brinquedos

Cada lugar tem seu espírito
Energia das cores – paredes beges para coloridas

Apoio dos pais é fundamental

Capítulo 2 – a menina dos grandes olhos

“Que pena! Uma menina tão bonita, solteira…”

Viajar sozinha pelo desconhecido

Maria sentia como se o mundo inteiro coubesse em seu coração (p. 15)

Comprar livros com o dinheiro do bar

Maria aprendeu a ler sozinha, aos quatro anos de idade.

Maria andava à frente do seu tempo, e ninguém conseguia acompanhar.

“casar com um bom homem, constituir uma família, mexer com bordado ou costura” p. 16

Golinho de cachaça para alegrar. Escondido, claro!

“Moça direita não deveria beber, mas ela não queria ser moça direita”

Maria desconfiava de homens que sorriam demais para ela.

No fundo, Maria queria mesmo era ser invisível para aquela gente.

Capítulo 3 – O mundo secreto de Maria

“Talvez minha vida não seja tão desinteressante assim…”

Capítulo 4 – a melhor parte

“Enquanto o mundo segregava lá fora, ela lia e expandia o mundo de dentro”

“Entre carinhos e sorrisos, perceberam-se nus”

“Segurou-a de forma gentil, como quem segura uma flor, e ali mesmo, abençoados por Machado de Assis e Monteiro Lobato, fizeram amor”
 

Capítulo 5 – Casar?

Capítulo 6 – o grande dia

“O ser humano e essa mania de entregar o coração a outra pessoa. Coragem isso… Viver sem coração é muito perigoso. Ela vivia”

Capítulo 7 – brincadeira de circo

Capítulo 8 – Kulê

Coragem!

Capítulo 9 – a trupe

“Filho, o que é que você carrega de tão triste nesse coração?”

Bailarina Nina – “Tristeza comigo não tem vez”

Capítulo 10 – liberdade entre paredes

“A vida é feita de escolhas” (p.77)

 
Capítulo 11 – espetáculo na fábrica de brinquedos

“todo mundo precisa silenciar, vez por outra, lavar com água salgada o avesso”
(p.80)

“Em cidade do interior, onde não havia nada, um circo sempre mudava tudo, a rotina das pessoas, o humor, e a magia se espalhava pelo ar “

Capítulo 12 – proteção de Iansã

Assediada no bar – “não sou mercadoria”

“Ela gostava mesmo era de ver aquelas pessoas dançando ao som dos instrumentos improvisados que fizeram com madeira que colheram do mato. A menina sentia uma conexão com aquela gente, algo que jamais havia sentido. Cada vez que os via, era como voltar para casa, para o aconchego de um lar que nem sabia que existia”

“A verdade é que alguma coisa mágica acontecia ali. A menina gostava de imaginar um campo de proteção rodeando o Casarão, como uma força invisível, dessas que ela só via nos livros. Ela gostava de pensar que nenhum mal conseguiria penetrar naquela fortaleza. De certa forma, era isso que estava acontecendo na vida real, o que lhe dava motivos de sobra para comemorar”

 
Capítulo 13 – enquanto o inimigo dorme

Ninguém fica pra trás

Capítulo 14 – na ponta da sapatilha

Ela ficou triste e se afastou
Era a mentira que mais doía

Depois do jantar depois de muito tempo sentaram e conversaram, se amaram e conversaram até o amanhecer.. Ele foi muito sincero, contou tudo, “como quem vomita alguma coisa que apodrece por dentro”.

Ao menos ele foi sincero.
Ela havia tomado sua decisão:
Viveria intensamente o que tinha para viver. E dançaria o resto.

Ela havia aprendido a não esperar muita coisa de ninguém
Ele sabia viver um dia de cada vez
Com as cartas na mesa, e um romance com prazo de validade nas mãos, trataram de ser felizes

Capítulo 15 – A espera

“A vida andava tão agitada que Maria não tinha tempo para lamentações”

 
Capítulo 16 – A estrada para casa

“Caminhar era a melhor forma de espantar o frio”

“Mas a sorte nem sempre acompanha os bons pensamentos”

“Aquelas costas já tinham ardido muito com chibatadas. Agora, ao menos agora, a dor era por liberdade” (p. 111)

“Ao menos morreu livre” (p. 113)

Capítulo 17 – Negrinha, a Leoa

“Ele só não falava sobre as dores que trazia no peito, porque aquilo não interessaria a ninguém” (p. 117)

“Não podemos nos esquecer da natureza selvagem do bicho”

“Eles confiavam nele. Se ele dizia que estava tudo bem, acreditavam”

Capítulo 18 – A palavra proibida

“Sabia que a menina andava mais feliz, e isso bastava” (p. 120)

“Então, de ideia em ideia, pensamento em pensamento, medo em medo, a noite passava todinha. Quando ela via, já era dia. E que dia! Mesmo assim, sua alma cantava de alegria por poder ajudar aquelas pessoas”

“Passavam os dias esperando a chuva chegar. Kulê dizia que a chuva, quando cai na terra, são as nuvens que cantam seu lamento” (p. 121)

“Quem silencia a alma consegue ouvir o gozo das plantas, que dançam nuas, noite adentro” (p. 121)

“uma enorme construção invisível no meio da terra virgem. Não eram raras as vezes em que sentia uma energia diferente ali, como se olhos os estivessem vigiando. E protegendo!”
“São os olhos dos nossos antepassados”

“Quem guarda segredos demais pode cair em contradições”

“vestiu a máscara de que estava tudo bem”

Joana fez chá e benzeu Maria
“A energia daquelas pessoas ajudou a menina a melhorar o astral”

“ajoelhou-se e elevou os pensamentos a Iansã. Não conhecia muito da religião, mas o convívio com a amiga Joana lhe ensinou a confiar no poder da fé”

 
Capítulo 19 – O caminho mais longo

“o grupo se reuniu à beira da fogueira para contar causos. Era uma maneira de espantarem o frio e o medo de um futuro incerto”

Pedro, sonhos premonitórios

“Cadê o sorriso que ilumina nosso caminho?”

“A consciência estava tranquila, e isso era o mais importante”

“Na fazenda, quando alguém ficava doente, era com ervas e reza que se curava”

Capítulo 20 – Surpresa na trupe

“Ele, que havia passado parte da sua vida caminhando sozinho, percebeu o quanto era bom ter pessoas de confiança por perto”

“Estava grávida em uma época em que ser mãe solteira era carregar nas costas o peso do preconceito”

“Respirou fundo, juntou os cacos de sua alma (…) e voltou”

Capítulo 21 – A chegada

“Joana sugeriu que mentalizassem uma luz forte e brilhante envolvendo Maria. Sensitiva que era, sabia que a amiga estava precisando de orações”

“Precisamos manter a energia elevada!”

 
Capítulo 22 – Enfim, sós

“O que talvez ela não soubesse era que o coração do moço também era dela. E era dela com uma força maior do que ele poderia expressar. Logo ele, que sabia muito bem como usar as palavras, nunca conseguiu demonstrar o quanto a amava”

“Então, a única coisa que podiam fazer era celebrar e mimar Nina, que nunca se sentiu tão querida na vida. Era Nina para cá, Nina para lá. Ela não estava acostumada com tanto zelo, mas acabou se rendendo ao amor dos amigos. E como ela precisava disso!”

“E, quando o medo se instala entre dois corações, é difícil encontrar espaço para o amor”

“Você até hoje não confia em mim?”

“Percebendo que algo sério o atormentava, Seu Percival apenas ofereceu um abraço. Foi, talvez, um dos abraços mais reconfortantes”

“Foi um choro desses que limpam a alma, água salgada que desce dos olhos e alivia o coração”

“O amigo, a quem ele considerava como um segundo pai, não julgou. Tomado por uma grande empatia, apenas sorriu e disse:
– Nós vamos resolver isso juntos!”

“No fundo, sabia que não podia ajudar o amigo. Eram questões muito pessoais. (…)
Mas ele podia oferecer apoio, e foi exatamente isso o que fez”

“Essa língua grande do povo não me atinge!”

“as coisas do coração são cheias de mistério”

“… e passou a viver a vida, um dia de cada vez”

 
Capítulo 23 – O triunfo da vida

“Perdoa a si mesmo, você fez o seu melhor”

“Doces fazem bem para a alma!”

“Ele leu para ela o conto “Negrinha”. Leu e releu várias vezes, com lágrimas nos olhos. Ali, olhando para ela, prometeu que nunca mais maltrataria, nem mesmo em pensamento, um negro” 

“Joana puxou seu poderoso canto para Iansã, e, como se fosse possível, todos cantaram em silêncio”

De alguma forma, ela sentia essa energia.

Capítulo 24 – O dia

“Falava manso, quase como quem canta, e tinha uma luz diferente”

“Com a alma feliz, o corpo da menina se recuperou por completo”
“Com a alma renovada pela experiência de quase morte, ela agora só queria viver”

“E, embora as cicatrizes teimassem em entregar seu passado, era para frente que ele queria andar”

“Sentiu um aperto no estômago, mas precisava encarar a realidade”

“Era inconcebível alguém não saber ler, o que para ela era a coisa mais prazerosa da vida” (p. 167)

“Desculpe, mas não te devo nenhuma satisfação”

“Por trás do moço tranquilo e simpático que todos conheciam, havia uma alma macabra, doente e envenenada”

 
Capítulo 25 – Programa de rádio

“Então, como não era de remoer tristezas, vivia o momento apenas. ‘Um dia de cada vez!’ era seu lema”

“Embora ainda um pouco inquietos pelas coisas do passado, o casal sentia que aquele era um momento mágico e digno de ser celebrado. Afinal, tinham chegado até ali, íntegros, apesar de tantas dificuldades”

“Os pais não queriam comprar muita coisa, tinham almas livres e sabiam que bens materiais eram supérfluos”

“Sentou-se diante dela, e ali ficaram, as duas, pensando nos mistérios dessa vida. Eram duas fêmeas, cada uma em seu mundo, cada uma entendendo a outra. Era sororidade o que acontecia ali, a identificação feminina em sua forma mais sublime”

“… a atitude dela, que deixou o orgulho de lado para lutar por outra mulher”

 
Capítulo 26 – Resistência

“A menina não queria que temessem por ela. De certa forma, aquelas pessoas lhe devolveram a vida quando tudo era tristeza. Sentia como se fosse um deles, havia esperado por eles sua vida inteira. E não seria agora que desistiria da luta.”

“precisavam de comida para pensar melhor”

“Não adianta se lamentar”

“E assim, a corrente de energia, que sempre tomou conta do Casarão, continuava a protegê-los”

“Embora fosse uma moça do interior, os livros a transformaram em uma mulher bastante esperta, mais sábia do que muito ancião”

“E só ajudava a aumentar a vontade de ajudar todas as mulheres do mundo”

“caiu uma chuva sem precedentes na cidade. Raios e trovões davam as notas, e uma sinfonia de ventos não deixou ninguém dormir.
– É Iansã, a rainha das tempestades, que veio nos proteger!”

“Ela pediu algumas horas para harmonizar o Casarão e seus moradores com suas ervas. Queria que estivessem protegidos e abençoados pelas entidades superiores que sempre os acompanharam.”

“Abraçado, o grupo chorou. Deixaram as lágrimas rolarem soltas e os soluços ecoarem alto. Para cada lágrima que caía, esvaziavam-se dos medos que tinham. E quando o choro cessou, estavam prontos.”

Capítulo 27 – Olhos de felina

“para mudar o mundo e recriar a vida, há sempre almas que correm riscos”

“Antes de prosseguir, olharam-se nos olhos, um por um, e reafirmaram o compromisso de cuidarem uns dos outros.”

“Os que ficaram por perto, por coragem ou pela paralisante falta dela, não acreditavam no que seus olhos lhes mostravam”

“Atire primeiro em mim!”

“Ela olhava para aquela mulher, e os sentimentos se embaralhavam por dentro. Sem nunca terem se visto, fortaleciam-se mutuamente”

“Sabendo que concluía ali seu número final, ela apenas fechou os olhos e se foi, serena.”

“- Sem você, eu não vou a lugar nenhum!
Ela mostrava, mais uma vez, quem era.
Maria agradecia àquela mulher, que não conhecia, mas já admirava mais do que poderia explicar em palavras.”

“- Vamos presos, mas vamos juntos!
Sem oferecer resistência, se entregaram, um a um”

Joana puxou, então, seu canto para Iansã. E os negros cantaram baixinho, acolhendo com a voz os demais que sofriam.”

Capítulo 28 – Capa de jornal

“Ele era apenas um menino, um emaranhado de dúvidas, novelos de pensamentos que gritavam intensamente. Sentia-se como carta perdida no meio do baralho, morando na cartola de um velho mágico. Era feito um caderno cheio de perguntas com respostas rabiscadas sem certezas. Era borracha que apaga o destino e reescreve contra a correnteza.”
Ela era o brilho que vem das pupilas, a mudança de rota, de rumo, de vida. Era aquele clichê ambulante, carregando sonhos na mochila. E foi como que sonhando que se abraçaram, mais firmemente do que nunca.”

“Alguns abraços duram para sempre”

“Alheios a tudo, o jovem casal apenas se abraçava, embriagados pelo cheiro, um do outro.”

“Não se ama uma pessoa porque ela é isso ou aquilo. Não se ama pelas escolhas que ela faz nem porque diz palavras gentis. Não se ama uma pessoa porque ela possui qualquer coisa, é filha de sei lá quem, ou porque cozinha bem. Ama-se é pela moleza que dá nas pernas, pelo encaixe do abraço, indizível, pelo cheiro. O amor acontece é pelo cheiro.”

“Perceberam que seria impossível colocar em palavras tudo o que havia no coração, tentativa inútil de nomear o amor, a saudade, as expectativas guardadas”

“Não julgava, apenas sentia.”

“Você é a mulher mais incrível que eu já conheci!”

“Eles sabiam que alguns amigos simplesmente se vão. De repente se perde a cumplicidade, de repente é muito tarde e todo mundo acorda cedo amanhã. Já outros chegam sem avisar, bons como panela velha, sentam logo na janela e não saem mais de lá. Mas há aqueles que nunca partem.”

“A vida é mesmo assim, cheia de caprichos.”

 
Capítulo 29 – Dizem que…

“E, ainda que a vida não fosse fácil para pessoas de pele negra, respirar liberdade era uma vitória comemorada todos os dias.”

“Eles continuaram dançando pela vida, nos braços um do outro, no ritmo daquele grande amor imperfeito. Porque amores perfeitos, ou não existem, ou dançam muito mal.”

“pacato como água parada em filtro de barro”

“A conexão entre os dois era como uma carta de amor de pai para filho. As palavras foram escritas na alma, não na pele.”

“Quanto mais caminhava pela vida, menos certezas queria ter. Mais vazio, mais silêncio, mais tempo para desaprender. Quanto mais caminhava pela vida, menos bagagem queria levar, mais pés descalços, menos calos, menos opinião para dar. Maria, livre, não precisava se tornar “alguém”. Ser qualquer uma na multidão era saber voar com as asas que a alma tem.”

“peças avulsas também têm belos finais”

“Dizem que, todos os dias, à meia-noite, uma leoa aparece por lá. Caminha devagar, elegante, e mostra os dentes a quem se atreve a encará-la.
Mas, em cidade do interior, o povo diz muitas coisas. Acredita quem tem juízo.”
 


 

CorreGabs

Sobre CorreGabs

E aí, tudo ótimo com você? Maravilha, né? Se você chegou até aqui é porque está buscando junto comigo dar um SALTO QUÂNTICO na Evolução Espiritual! Porque gente boa se atrai! Entendeu? Eu sou a CorreGabs, seja muito bem-vindx, ao meu blog! 38 anos, esposa do Fábio, corredora amadora desde 2010, Maratonista desde 27/07/14 e amante da vida saudável! Não espere muita coisa além de: corrida, roupas e acessórios para prática de esportes, agenda de corrida, academia, motivação para corrida, alimentação saudável e corrida! 😆 Na verdade vamos falar de tudo que envolve a expansão da consciência! Porque tá tudo conectado! Sigamos no caminho da luz! Namastê!

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